O "Candidato Perfeito" e a Falta de Inteligência Emocional: O Que o Mercado Não Vê?
por Vitória Araújo, também conhecida como Vicky Araújo, é graduanda do último semestre de Ciência e Tecnologia, com foco em cibersegurança, e de Gestão de Recursos Humanos. Possui formação técnica em Vendas pelo IFSUL de Minas Gerais e em Logística pelo SENAI CIMATEC.

A "Pesquisa Nacional Heach 2026 – O Brasil Contrata por Competência ou por Comportamento?", nos mostra que 42% dos empresários e gestores estão priorizando e utilizando como critério de contratação de novos colaboradores aspectos como postura, inteligência emocional e adaptação. Já 24% afirmam que, em segundo lugar, visam considerar a experiência profissional como um decisor importante e 18% consideram as habilidades técnicas.
Por consequência, 84% dos empresários afirmam já ter contratado profissionais tecnicamente excelentes que não entregaram os resultados esperados por questões comportamentais. Isso faz com que a regra do jogo mude. Antes do avanço expressivo das inteligências artificiais, tínhamos um mercado de trabalho que valorizava como ponto exclusivo e indispensável a experiência profissional e/ou habilidades técnicas.
Agora, você deve estar se auto perguntando: o que leva um candidato negro a chegar ao mercado de trabalho sem inteligência emocional?
Querida(o) mulher/homem negra(o), para responder a isso, é preciso começarmos a falar da nossa infância, onde atravessamos cotidianamente o racismo, barreiras, escassez, repreensão dos nossos sentimentos e dores, a solidão, a responsabilidade de adulto precocemente, entre outros. O caminho dos nossos ancestrais sempre foi marcado pela dor, violência, repreensão e muito mais atravessamentos que irão se perpetuar durante longas gerações.
Trago, aqui, algumas perguntas para que possamos refletir juntos(as):
Quantos de nós, quando criança, ao chorar, cair ou estar triste, os nossos pais reduziram as nossas dores a nada?
Quantos de nós, desde a infância até os dias atuais, não sabemos nomear os nossos sentimentos? Quantos, mesmo na vida adulta, não sabemos lidar com frustrações?
Quantos de nós não nascemos em um lar funcional?
Quantos de nós ainda seguimos com baixa autoestima?
Quanto de nós precisávamos e precisamos engolir o choro e seguir em frente com as dores? Quantos de nós não passamos fome?
Quantos de nós fomos o irmão mais velho que precisou carregar todo o peso para cuidar dos irmãos mais novos?
Quantos de nós ainda não conseguimos quebrar as dores dos nossos pais, avós(ôs), bisavós(ôs) e continuamos reproduzindo as mesmas atitudes com os nossos filhos e conosco?
Quantos de nós fomos o/a filho(a) que não dá trabalho aos pais e, por consequência, somos adultos sobrecarregados porque não sabemos como pedir ajuda?
Quantos de nós temos dificuldades em dizer não?
Quantos de nós acordamos ou fomos dormir com fome?
Quantos de nós não crescemos em um orfanato?
Quantos de nós não fomos rejeitados pelos nossos pais e família?.
A psicologia e a pediatria trazem em evidência que, durante a infância, as crianças precisam encontrar condições seguras para se desenvolver, explorar o mundo, nomear os sentimentos e as dores, chorar sem ser julgadas, sono adequado, proteção, acesso à alimentação saudável e um porto seguro onde, sempre que errar, saber que há alguém sempre ali disponível. A ciência comprova amplamente que carregamos as dores e traumas da infância para a vida adulta, impactando tanto a nossa saúde mental quanto o nosso corpo físico.
A dor, embora seja um fenômeno subjetivo que não podemos tocar de forma tangível, podemos sentir por toda extensão do nosso corpo e alma. O artigo intitulado "A Dor da Criança Ferida no Adulto", de Izabel Medeiros, publicado na Revista Latino-Americana de Psicologia Corporal em 2019, afirma que:
“Há a dor de faltas vividas em nossa infância que se enraizaram em nosso Ser, nos levando a comportamentos e pensamentos limitantes.
Há as dores do nosso núcleo familiar, que reverberam em nosso mais íntimo pensamento, gravados aí como resultante de uma impossibilidade de percepção do Eu, nos levando a visitar lugares e braços que nos foram faltosos para a construção de uma saudável que nós levássemos para desenvolvimento construção do verdadeiro self”.
Não é novidade que a inserção e a permanência da população negra no mercado de trabalho são atravessadas pelo racismo institucional e pelas desigualdades históricas. Profissionais negros frequentemente têm suas reações mal interpretadas. Uma postura firme ou uma discordância pode ser rotulada injustamente como "agressividade".
Quais estratégias podemos utilizar?
Primeiro, sempre que você for fazer uma entrevista de emprego, adote a estratégia emocional de empatia estratégica e leitura de ambiente para navegar em culturas organizacionais rígidas e eurocêntricas. Use a empatia não como submissão, mas como ferramenta de leitura de cenário.
Segundo, precisamos jogar o jogo entendendo as regras de não passar o estereótipo colonial que a sociedade e as instituições atribuem aos indivíduos negros de "Negro Raivoso". Profissionais negros frequentemente têm suas reações mal interpretadas. Uma postura firme ou uma discordância pode ser rotulada injustamente como "agressividade" durante o processo seletivo. Saber exatamente quais situações geram frustração ajuda a antecipar respostas e a escolher a forma mais estratégica (e menos vulnerável a julgamentos enviesados) de se posicionar.
Por fim, a inteligência emocional para a população negra não se trata de tolerar ambientes tóxicos ou silenciar dores legítimas, mas sim de assumir o controle estratégico sobre a própria narrativa e bem-estar no mercado de trabalho ou no processo seletivo. Ao dominar essas competências, o profissional transforma a resiliência em estratégia de liderança para os seus caminhos e vida.
Cursos
1 - Plataforma SEBRAE PLAY: Inteligência emocional com duração de 14h onde você vai aprender:
Identificar emoções e compreender seus impactos;
Aplicar técnicas eficazes para prevenir e lidar com o burnout;
Utilizar a inteligência emocional para melhorar sua comunicação e liderança;
Desenvolver forças de caráter que promovem equilíbrio emocional duradouro;
Reforçar seu propósito e sentido de vida diante dos desafios cotidianos;
Construir hábitos saudáveis para manter a saúde emocional no dia a dia.
2 - Aula gratuita de Inteligência Emocional Conquer:
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Exercício:
Gostaria que você pudesse comprar um caderno exclusivo para ser seu diário de emoções. Sempre ao acordar, escreva nele o que você está sentindo naquele momento. Deixe as ideias, pensamentos e emoções fluírem dentro da sua mente e escreva. Antes de dormir, escreva como foi seu dia, nomeie os sentimentos e emoções que você está sentindo, sejam positivos ou negativos. Essa prática tem um poder transformador gigantesco para desenvolver a sua inteligência emocional, autoconhecimento e clareza mental. Vale salientar que um diário de emoções não será a única solução para o desenvolvimento da inteligência emocional e elaboração das emoções; é extremamente importante fazer terapia com um/a psicólogo(a) para identificar e elaborar as suas emoções.
Cuide-se! A sua vida é preciosa(o) para mim!
Vitória Araújo



Esse assunto é extremamente relevante.
Atualmente precisamos lidar com diferentes situações e emoções no nosso dia a dia, e a inteligência emocional nos permite entender melhor como nos sentimos e como responder aos desafios diários, tanto pessoais quanto profissionais.
Parabéns pelo texto!